

Origens Tradicionais
O termo Yusul (유술) é a transliteração coreana do japonês Jujutsu (柔術), significando literalmente "arte suave" ou a técnica que vence pela flexibilidade e adaptação. Historicamente, o Yusul de Joseon manifestou-se como uma arte marcial autêntica e tática militar essencial para o combate corpo a corpo durante a Dinastia Joseon. Um marco fundamental dessa trajetória ocorre em 1598, quando o general Yi Deok-hyeong registrou o conceito de Yudo (柔道) como uma estratégia militar para que os soldados pudessem subjugar inimigos armados utilizando a suavidade para vencer a força.
A linhagem do Yusul evoluiu através de personagens cruciais que conectam o passado militar à modernidade:
- Yi Deok-hyeong: Responsável pelos primeiros registros do termo Yudo e das técnicas de combate adaptativo em 1598.
- Na Su-yeong e Ryu Geun-su: Mestres que, no início do século XX, lideraram o departamento de Yusool da YMCA, preservando a arte como um instrumento de salvação nacional contra a ocupação estrangeira.
- Kim Hong-shik: Reconhecido como o primeiro faixa preta do sistema de Yusool da YMCA, sendo um elo vital na sistematização da tradição coreana.
- Kang Jun: Fundador do Gongkwon Yusul em 1998, um sistema híbrido moderno focado na praticidade do combate livre.
- Michel Salgado: O introdutor oficial do sistema coreano no Brasil em 2007 e fundador do Yusul Brasil em 2020, consolidando a hibridização da arte em solo nacional.
A relação entre essas vertentes é profunda: enquanto o Jujutsu japonês serviu de raiz matriz, o Judô (criado por Jigoro Kano a partir do Jujutsu) exerceu influência direta no desenvolvimento técnico coreano pós-independência. O Yusul Brasil representa a etapa contemporânea dessa evolução, integrando as projeções e quedas do Judô com uma ênfase marcante na luta de solo (Ne Waza) proveniente do Jiu-Jitsu Brasileiro, resultando em um sistema de combate completo e culturalmente adaptado.
A Guerra de Imjin (1592-1598) foi um marco crucial para o desenvolvimento das artes marciais coreanas. Inicialmente derrotado pela infantaria japonesa, o exército de Joseon buscou novas táticas para o combate corpo a corpo contra espadas longas. Nesse cenário, o Yusool (ou Yudo de Joseon) emergiu como uma técnica militar essencial de "suavidade que vence a força", focada em agarrar, projetar e imobilizar o inimigo mesmo sob o uso de armaduras. Registros históricos indicam que essas técnicas precederam o desenvolvimento do sistema japonês moderno, servindo como base para a resistência nacional e a preservação do espírito guerreiro coreano.

Yi Deok-hyeong e o Nascimento do Yusul Militar
Durante a invasão japonesa, o exército de Joseon (Coreia) enfrentou graves dificuldades iniciais, pois as artes marciais tradicionais, como o Subak, e o uso de cavalaria eram ineficazes contra os espadachins japoneses em combates de curta distância.
Neste cenário, Yi Deok-hyeong, que serviu como Segundo Vice-Primeiro Ministro e liderou esforços que levaram à vitória na guerra, é creditado pela introdução da ideia do Yudo (Yusul) como uma tática de combate.
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Conceito Estratégico: Em 22 de junho de 1598, os Anais da Dinastia Joseon registam a terminologia "Yudojejisa" (柔道制之使 - usar o Yudo para subjugar o oponente) e "Yuneungseunggangja" (柔能勝強者 - a suavidade pode vencer a força).
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Aplicação em Combate: Os soldados de Joseon, sob esta orientação táctica, lutavam de armadura e utilizavam técnicas de agarrar, projetar, pressionar, quebrar e imobilizar para derrotar inimigos armados com espadas e espingardas.
2. Cronologia e Precedência Histórica
A evidência documental coloca a prática e a nomenclatura do Yudo/Yusul na Coreia antes do desenvolvimento de sistemas semelhantes no Japão:
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Precedência Coreana: Os registos coreanos datam de 1598, cerca de 39 anos antes do nascimento do Jinshinryu Yudo no Japão em 1637.
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Transmissão para o Japão: Estudiosos defendem que o Yusul de Joseon foi levado para o Japão durante a guerra, influenciando o desenvolvimento das artes marciais japonesas posteriores.
3. Evidências em Prisioneiros e Missões Diplomáticas
A superioridade e a existência do Yusul coreano no período pós-guerra são sustentadas por registos de observadores da época:
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Ganyangnok (1597–1600): Escrito por Gang Hang, um oficial capturado, este livro relata confrontos onde soldados coreanos derrotavam praticantes de artes marciais japonesas (como o Sumo) usando técnicas de Yusul.
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Missões Diplomáticas: Em 1607 e 1719, membros de missões coreanas ao Japão registaram "jogos de guerra" e competições de artes marciais japonesas que eram idênticas às práticas de Yusul/Gakjeo já existentes em Joseon.
4. O Legado no Século XX (YMCA e Academia Militar)
O Yusul continuou como uma disciplina militar essencial até à era moderna:
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Academia Militar de Joseon (1895): O Yusul (referido como Yudo) foi adotado como disciplina obrigatória para o treino de oficiais.
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General Kim Jwa-jin: O herói da Batalha de Cheongsanri (1920) era um mestre de Joseon Yusul, técnica que utilizou para derrotar as tropas japonesas em combates próximos.
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YMCA Yusul (1906): Sob a liderança de Wolnam Lee Sang-jae, o departamento de Yusul foi criado para treinar "100 homens fortes" com o espírito de salvação nacional, tendo Na Su-yeong e Ryu Geun-su como instrutores principais.




